menteflutuante

Archive for dezembro 2010

Humberto Gessinger

Pra ser sincera eu poderia contar a história da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii, mas isso vocês podem encontrar no Wikipédia. Na verdade, eu só gostaria de comentar um pouco sobre Humberto Gessinger e sua banda, que parecem estar tão longe e tão distante da mídia, mas muito perto de quem realmente gosta de ouvir suas canções.

Ter um artista vivo como HG, e de um conhecimento ávido e sagaz na nossa música brasileira é de extrema importância. Sua simplicidade e sua percepção de mundo são visíveis em suas letras e na sonoridade de suas canções.

Não vemos EH nas capas de revistas ou nas paradas de sucesso, mas sutilmente suas obras são conhecidas e assimiladas não apenas por ser uma boa música, mas por conter bons poemas.

O que mais destaca-se em suas canções são as palavras, jogadas não verborragicamente, mas compostas em um jogo de ideias e performances, propondo uma variação lingüística.

Seus trocadilhos nos fazem refletir, e a magia de suas composições estão exatamente em nos fazer pensar, já que suas letras são extremamente atemporais. É notável a presença do pós-guerra em suas canções: crítica aos meios de comunicação massivos, banalidades, amores desiludidos e alusões estão presentes em suas músicas. Coisas tão próximas do nosso cotidiano e ao mesmo tempo tão distantes dos nossos pensamentos.

Entre o racional e o emocional, com HG todos os paradoxos fazem sentido e juntos também conseguimos perceber nossas paranóias ou a falta delas.

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Quem tem medo do Curupira?

A peça de teatro “Quem tem medo do Curupira?” é um musical infantil escrita pelo cantor e compositor Zeca Baleiro, nos leva a refletir sobre o mundo em que vivemos, no qual os valores folclóricos são perdidos e a cidade se torna lugar do medo e do temor.

Com Saci, Iara, Boitatá, Caipora e Curupira, a peça mostra como o folclore brasileiro está sendo esquecido. As pessoas não temem mais os bichos da mata, ela já não é mais assustadora, quanto uma cidade iluminada, no qual o caos predomina.

Hoje em dia, as personagens do folclore estrangeiro, como vampiros e bruxas, por exemplo, estão mais presentes no nosso dia a dia do que as próprias figuras da nossa cultura.

Os mais velhos, principalmente do interior, sempre acreditaram no nosso folclore. Hoje com a maioria das pessoas morando na cidade, os meios tecnológicos dominando, e as crianças mais espertas e entrando cada vez mais cedo em um mundo adulto, preocupam-se muito mais com a própria imagem e beleza do que com o imaginário.

A perda dos princípios e valores familiares – mães que abandonam filhos, filhos que matam pais, doenças psicológicas, estresse e a correria do dia a dia – fazem com que as pessoas desacreditem da fantasia e deixem o mundo mágico de fora, e passam a viver uma realidade fria e sem maiores perspectivas.

Com roubos, assaltos, estupros e todas as outras maldades da urbanização, peças pregadas por personagens folclóricos tornam-se ingênuas em comparação a esses fatos.

Na peça, as personagens percebem que estão sendo esquecidas e que não conseguem amedrontar mais ninguém. Então, decidem ir para a cidade para saber o que está acontecendo com as pessoas, que estão se distanciando cada vez mais da natureza.

“Quem tem medo do Curupira”, a peça mesmo que pequena, tem uma grande produção. É perceptível a preparação dos atores, tanto com o corpo, quanto com a voz. Cenários e efeitos visuais trazem ao palco a magia, não só da própria peça, mas também do teatro que tem como objetivo levar o espectador para outro mundo, o mundo do fantástico e da reflexão.

A peça acontece no Teatro Ruth Cardoso, em frente ao metrô Trianon Masp. Última apresentação dia 12/12.

Vocês acham que os valores da nossa cultura estão se perdendo?

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