menteflutuante

Archive for setembro 2010

O filme Favela Rising dirigido pelos dois americanos Jeff Zimbalist e Matt Mochary na verdade é um documentário que narra a trajetória do grupo AfroReggae, que vence as tragédias da favela do Vidigal no Rio de Janeiro e tiram jovens da criminalidade, mostrando a eles que é possível vencer na vida e se superar através da música.

O AfroReggae é mais que um grupo musical é uma ONG que visa a inclusão social através da arte e da cultura, trabalho este que deveria ser feito pelo estado.

No documentário é possível visualizar o quanto a favela é esquecida, menosprezada e abandona. Um espaço social que vive em constante mutação é sempre visto como um lugar inapropriado e criminalizado. As pessoas esquecem que ali, também moram famílias dignas e trabalhadoras, que não tiveram oportunidade para estar em um lugar melhor.

O abandono existente nas favelas mostra para os jovens o que é o sentimento de ódio, de excluído, de medo. Isso os leva a entrar para o mundo do tráfico, o mundo da violência. Para eles, ser do crime é alcançar status, é ter poder, ser alguém na sociedade, mesmo sabendo que esse poder dura pouco, que a vida acabará cedo ou passará o resto dela atrás das grades.

Todos falam que, quem é da favela não tem cultura, mas eles não têm essa cultura porque ela é elitizada e não chega para esse núcleo da cidade. Por isso, a favela cresceu, evoluiu, os bandidos tomaram conta. E para esses traficantes é mais lucrativo entrar para o crime e ganhar R$ 600,00, por dia do que trabalhar o mês inteiro em um subemprego de forma digna para ganhar o mesmo valor.

É provado, o tráfico traz dinheiro e ninguém fica rico simplesmente pelo fato de que policial é quem ganha o dinheiro. A polícia que deveria contribuir de uma forma cidadã inverte seus valores, na verdade está no mesmo nível dos traficantes, são corruptos, levam armas e drogas para as favelas. Por isso, sofrem preconceito e assim como os morados das favelas que são excluídos, os policiais são mal remunerados e mal qualificados – há sempre uma revolta.

Para as crianças, não há oportunidades. Crescer ouvindo sons de tiros, não é a mesma coisa que ouvir sons de canções de ninar. Não há o que fazer, não há para quem recorrer, não há perspectiva de vida, não há consciência para que novos caminhos sejam traçados. Só resta o mundo da criminalidade, que é a única coisa sedutora da favela.

Em suma, Favela Rising mostra a dualidade entre o bem e mal e como este pode ser superado através da luta, da esperança. Basta acreditar.

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